quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Rosas e saudades.

[Eram 18h00min e Luca ainda não tinha voltado pra casa. Dona Ana, mãe, estava inquieta e preocupada, ligava para várias amigas e ninguém tinha noticia.]
   
   Luca era filha única, tinha 20 anos e estava grávida de oito meses, o relacionamento com o pai do bebê era bem complicado. Neste dia, estava tudo bem entre os dois e decidiram passar o dia velejando. Ela amava-o, porém, ele estava sempre preso aos seus próprios problemas sem dar importância na vida dela e do bebê que estava a caminho. Roberto, namorado de Luca tinha 38 anos, ela engravidou com pouco tempo de relacionamento e ficou deslumbrada pelo mundo que foi apresentada. Tudo combinado, Roberto foi busca-la às 10 da manhã, com várias recomendações de dona Ana e os dois saíram.

   Só que até as 18h00min do mesmo dia, Luca não havia chegado a casa, o celular dela estava sem sinal, as colegas não sabia de nada e dona Ana ficava muito nervosa. As amigas decidiram ir pra casa dela e ficaram esperando por noticias. As 22h00min a família e amigos estavam em alerta, decidiram procurar a policia, mas o B.O só pode ser lavrado após vinte quatro horas do desaparecimento. Voltaram pra casa meia noite e nada de noticia.
   No próximo dia, às dez da manhã, as buscas começaram a serem feitas. A policia encontrou o porto em que o barco havia saído, a marinha foi acionada e descobriram vestígios do barco no mar. Nada concreto, apenas objetos e pedaços da navegação, agora, de uma coisa, todos já sabiam, o barco havia afundado.  Amigos e familiares tentavam ficar calmos, porque dona Ana estava muito nervosa e ansiosa com o desaparecimento de sua filha.
   Luca nasceu, cresceu e morava no mesmo bairro até os dias atuais, tinha quatro amigos de infância: Tati, Meire, Gabriela e Rodrigo.  Ela estava estudando, mas já estava de atestado médico para o nascimento de seu bebê.  Às três horas da tarde, a policia ligou para a casa de dona Ana com noticias da menina.  A mãe e as amigas saíram depressa de casa até a delegacia. Chegando lá, descobriram que Luca estava viva, esta jovem mulher, havia se agarrado num dos pedaços do barco, até ser encontrada pela Aeronáutica.
   Chegando ao hospital, souberam que Luca estava desidratada, muito fraca e o bebê na mesma situação.  Dona Ana ficou no quarto com a filha, as amigas foram conversar com o médico. O médico afirmou:
- A equipe médica esta tentando de todas as maneiras deixá-la viva para fazer um parto Cesário e salvar pelo menos o bebê.
Um das amigas, perguntou:
- Pelo menos?
Ele respondeu:
- Sim, a mãe esta bem debilitava, com várias fraturas e não sabemos como sobreviveu até agora.
   As três ficaram paralisadas com a noticia, choraram bastante e ficaram por ali até conseguirem se acalmar para dar a noticia a dona Ana, o comportamento dela não foi diferente do das meninas, mas teve força por Luca. Então, ela foi levada a sala de cirurgia para o parto. Tati tinha uma prova no horário da cirurgia, decidiu ir até a universidade fazer a prova e depois voltar para o hospital. Donas Ana, Meire e Gabriela ficaram esperando pelo fim da cirurgia. Permaneceram na maioria do tempo de mãos dadas em oração, uma levantava para tomar café, outra ia ao banheiro,  outra tomava água. Tati não conseguia se concentrarem na prova, assim, todas estavam ligadas num só pensamento, em uma só energia.
   A cirurgia durou três horas. Então, o bebê saiu da sala levado por uma enfermeira até a  incubadora. Os membros da equipe médica se movimentavam, mas Luca não saia de lá. Muita preocupação por todas, era um misto de alegria pela chegada do bebê, mas também de confusão já que Luca não saía. Momentos depois o médico veio até elas e contou do falecimento da moça, entraram em choque e choraram muito. Tati soube da noticia na faculdade e também ficou desolada.
   O enterro Luca foi na manhã seguinte, muito amigos e familiares foram dividir a dor com aquelas que mais estavam abaladas com a situação. O corpo de Roberto não foi localizado e a família dele não entrou em contato com dona Ana e nem quis noticias do bebê.  O sepultamento aconteceu com muito dor, dúvidas e saudades, pois durante esse relacionamento, Luca deixou de ser a menina sorridente que era. Enquanto o caixão era soterrado, todos refletiam sobre o que Luca representou na vida de cada um ali. Rosas e dores eram despejadas.

   Dona Ana e as amigas ficaram juntas e prometeram se manter desta forma para cuidarem do bebê. Agora tinham no coração a ausência de Luca e a esperança de renovação com a chegada dele. Os dias se passavam e junto com o crescimento do bebê a saudade de Luca. As quatro estavam atendendo ao pedido que Luca fez em silencio quando aguentou por várias horas por socorro. O certo é que nada e ninguém substituirão aquela que por vários anos foi motivos de sorrisos delas.
Vá em paz, Luci. 

                                          


  Sonho que tive na madrugada do dia 09/10/2012.

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