Eliza dormia, mas despertou quando ouviu um barulho em sua
casa. Levantou-se devagar e pegou seu marido, Valter, com Regina, uma conhecida
do tempo de colégio, aos beijos no sofá. Junto com o casal, estava sua inimiga
Marcela e outro homem.
Ela ficou nervosa com a traição do marido em sua casa, fez
um barraco e expulsou todos de lá. Enquanto ela ouvia pedidos de desculpas de
Valter, ignorava-o e arrumava roupas numa mala. Antes de sair de casa, se
deslocou até a casa de marcela e contou tudo para o pai dela. Ele ficou raivoso
com a situação chamou - a e bateu nela na frente de Eliza, isso não era bem o
que Eliza queria, porém, sentiu-se vigada.
Desabafou para a sua família o que aconteceu e todos
tentavam fazer a cabeça dela para que ela voltasse com Valter. Estava irredutível,
entretanto, momento depois decidiu voltar pra casa, bateu na porta e Valter não
atendeu. Percebeu que o chuveiro estava ligado e gritou para que ele pudesse
abrir a porta, ele veio abrir com indiferença no rosto.
No dia seguinte, acontecera uma excursão para uma tribo
indígena, onde todos os amigos deles estariam presentes, Eliza fez questão de
ir, mas Valter ainda permanecia chateado pelo ocorrido e não foi. Na tribo, ela
se divertia bastante, avistou um conhecido que Valter tinha certa antipatia,
foi até Henrique e o beijo-o, queria vingança. No fim da noite, ocorreu uma festa
em que Eliza embriagou-se e ela dançava muito, até que bateu na pista com o
melhor amigo de Valter, o seduziu, eles se beijaram, foram até sua barraca e
transaram. Pronto, estava vingada: com a surra que sua inimiga havia tomado em
sua frente, o beijo que deu no cara que Valter não gostava e a relação amorosa com
Pedro.
Na manhã seguinte, todos acordaram cedo, desarmaram sua
barraca e entraram numa trilha para sair da tribo. No meio do caminho, Eliza
sentiu muita vontade de fazer xixi, o que a levou a ser perder dos demais
membros do grupo. Perdida no meio da mata, sentindo frio, sede e fome, ela
ficou sem saber o que fazer, mas manteve a calma. Andou vários quilômetros mata
adentro, retirou algumas frutas e comeu, bebeu água que ficara presa nas folhas
das plantas, até que desmaiou de cansaço.
Acordou sendo tocada por um anjo moreno, pintado com uma
espécie de tinta, ele deu água pra ela, coloco-a numa maca de bambo e foi
levada, estava sem forças pra falar ou reagir, então, permitiu ser carregada. Era
um índio. Chegando à tribo, mulheres a limparam e esperam que ela acordasse.
Quando Eliza acordou entendeu o que estava acontecendo, comeu e voltou a
descansar. Recarregou suas forças e conversou com o líder da tribo, o qual a anunciou
que ia mandar pessoas para avisar que havia um membro da equipe da última
excursão na tribo.
Porém, Eliza pediu pra suspender o aviso e para ficar na
tribo por um tempo. Tudo que havia acontecido a deixou confusa e sem esperanças
no casamento. Essa temporada na tribo serviria para renovar suas forças e para
pensar. Enquanto ela refletia, sua
família estava desesperada e em sua procura, Valter ficava muito triste ao
lembrar-se de sua esposa e mais triste ainda pelos acontecidos nos últimos
dias. Sentia-se culpado e tinha razão.
Vivendo na tribo, Eliza ia se adaptando aos olhares curiosos
dos indígenas, comendo os alimentos oferecidos, ajudando as mulheres nas
tarefas diárias e ficando amiga da maioria. Entendia com aquele povo humilde de
como a vida era simples, de como a felicidade poderia ser alcançada,
envergonhava-se de suas atitudes anteriores e queria mudar. Os dias, meses, iam
passando e ela não despertava nenhum interesse de volta para casa, todos
estavam alegres com sua estadia e a vida ia passando. Com o tempo, Valter
entendeu que a sua esposa tinha morrido, em parte, ele estava certo. Vendeu a
casa e foi morar num barco, pescando e vivendo na simplicidade também.
Com o tempo aproximou-se de um jovem rapaz, aquele índio
que a salvou na mata. Agora ele a protegia, dava-lhe orientações, ensinava como
é a vida cotidiana da tribo e a ouvia. Em compensação, ela contava como era a
vida em ‘’civilização’’, contava história pra ele e riam bastante. Eram amigos,
pelo menos, pra ela. Esse jovem rapaz, chamava-se Etê, sincero em tupi e ela
foi denominada pelo pagé de Aisó, formosa em tupi. Etê via Eliza como uma
mulher, como uma futura esposa, mas ela não percebia isso, pois estava presa a Valter. O tempo ia passado e Eliza, agora Aisó,
parecia ter nascido naquele ambiente.
Dois anos se passaram e numa madrugada, ela teve um sonho
com Valter, o que a fez passar o dia refletindo sobre a sua antiga vida e
despertou a curiosidade de como tudo poderia estar agora. Procurou o pagé e
informou a ele sobre a sua intenção: ela queria voltar pra casa. Ele entendeu,
lamentou, mas permitiu a sua partida. Etê ficou numa tristeza, pois nutriu
esperanças acerca dela durante este tempo, tiveram uma conversa sincera, Aisó,
agora Elisa, desejou felicidades na vida dele.
Foi entregue a nova Eliza uma canoa. Uma índia foi de guia
com ela, ela iria navegando pelo rio, até a sua cidade, lá pegaria um ônibus e
chegaria em casa. A despedida na tribo foi emocionante, agora que aprenderia o
caminho, Eliza Aisó, prometeu visitar. Já na embarcação as duas começaram a
viagem, ela sentia um medo de ver como as coisas estavam e uma alegria de
reencontrar a família.
Enquanto navegavam avistou um barco, olharam de forma
curiosa. A índia decidiu parar, pois nunca tinha o visto por ali, bateu palmas
e saiu um homem branco de lá. Dois anos depois, mas Eliza foi capaz de
reconhecer Valter, apesar dela esta com o cabelo mais curto e pele um pouco mal
tratada, ele também a reconheceu. Ficaram um tempo em silêncio. Até que Valter
deu a mão a Eliza, ela entrou no barco, informou a índia que ficaria por ali e
despediu-se dela.
Anos haviam passados, tinha muito que conversarem. Renovaram-se
nesses dois últimos anos, os dois tinha aprendido na simplicidade a verdadeira
felicidade. Perdoaram-se pelas besteiras e se perdoaram pelas traições. Acho
que não precisa dizer que viveram felizes para sempre naquele barco do amor. Ou
cantinho da felicidade, como Valter costumava dizer.
Sonho que tive na madrugada do dia 10/10/2012.
Sonho que tive na madrugada do dia 10/10/2012.




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