quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Na simplicidade a verdadeira felicidade: Eliza Aisó


   Eliza dormia, mas despertou quando ouviu um barulho em sua casa. Levantou-se devagar e pegou seu marido, Valter, com Regina, uma conhecida do tempo de colégio, aos beijos no sofá. Junto com o casal, estava sua inimiga Marcela e outro homem.
   Ela ficou nervosa com a traição do marido em sua casa, fez um barraco e expulsou todos de lá. Enquanto ela ouvia pedidos de desculpas de Valter, ignorava-o e arrumava roupas numa mala. Antes de sair de casa, se deslocou até a casa de marcela e contou tudo para o pai dela. Ele ficou raivoso com a situação chamou - a e bateu nela na frente de Eliza, isso não era bem o que Eliza queria, porém, sentiu-se vigada.
   Desabafou para a sua família o que aconteceu e todos tentavam fazer a cabeça dela para que ela voltasse com Valter. Estava irredutível, entretanto, momento depois decidiu voltar pra casa, bateu na porta e Valter não atendeu. Percebeu que o chuveiro estava ligado e gritou para que ele pudesse abrir a porta, ele veio abrir com indiferença no rosto.
   No dia seguinte, acontecera uma excursão para uma tribo indígena, onde todos os amigos deles estariam presentes, Eliza fez questão de ir, mas Valter ainda permanecia chateado pelo ocorrido e não foi. Na tribo, ela se divertia bastante, avistou um conhecido que Valter tinha certa antipatia, foi até Henrique e o beijo-o, queria vingança. No fim da noite, ocorreu uma festa em que Eliza embriagou-se e ela dançava muito, até que bateu na pista com o melhor amigo de Valter, o seduziu, eles se beijaram, foram até sua barraca e transaram. Pronto, estava vingada: com a surra que sua inimiga havia tomado em sua frente, o beijo que deu no cara que Valter não gostava e a relação amorosa com Pedro.
   Na manhã seguinte, todos acordaram cedo, desarmaram sua barraca e entraram numa trilha para sair da tribo. No meio do caminho, Eliza sentiu muita vontade de fazer xixi, o que a levou a ser perder dos demais membros do grupo. Perdida no meio da mata, sentindo frio, sede e fome, ela ficou sem saber o que fazer, mas manteve a calma. Andou vários quilômetros mata adentro, retirou algumas frutas e comeu, bebeu água que ficara presa nas folhas das plantas, até que desmaiou de cansaço.
   Acordou sendo tocada por um anjo moreno, pintado com uma espécie de tinta, ele deu água pra ela, coloco-a numa maca de bambo e foi levada, estava sem forças pra falar ou reagir, então, permitiu ser carregada. Era um índio. Chegando à tribo, mulheres a limparam e esperam que ela acordasse. Quando Eliza acordou entendeu o que estava acontecendo, comeu e voltou a descansar. Recarregou suas forças e conversou com o líder da tribo, o qual a anunciou que ia mandar pessoas para avisar que havia um membro da equipe da última excursão na tribo.
   Porém, Eliza pediu pra suspender o aviso e para ficar na tribo por um tempo. Tudo que havia acontecido a deixou confusa e sem esperanças no casamento. Essa temporada na tribo serviria para renovar suas forças e para pensar.  Enquanto ela refletia, sua família estava desesperada e em sua procura, Valter ficava muito triste ao lembrar-se de sua esposa e mais triste ainda pelos acontecidos nos últimos dias. Sentia-se culpado e tinha razão. 
   Vivendo na tribo, Eliza ia se adaptando aos olhares curiosos dos indígenas, comendo os alimentos oferecidos, ajudando as mulheres nas tarefas diárias e ficando amiga da maioria. Entendia com aquele povo humilde de como a vida era simples, de como a felicidade poderia ser alcançada, envergonhava-se de suas atitudes anteriores e queria mudar. Os dias, meses, iam passando e ela não despertava nenhum interesse de volta para casa, todos estavam alegres com sua estadia e a vida ia passando. Com o tempo, Valter entendeu que a sua esposa tinha morrido, em parte, ele estava certo. Vendeu a casa e foi morar num barco, pescando e vivendo na simplicidade também.
   Com o tempo aproximou-se de um jovem rapaz, aquele índio que a salvou na mata. Agora ele a protegia, dava-lhe orientações, ensinava como é a vida cotidiana da tribo e a ouvia. Em compensação, ela contava como era a vida em ‘’civilização’’, contava história pra ele e riam bastante. Eram amigos, pelo menos, pra ela. Esse jovem rapaz, chamava-se Etê, sincero em tupi e ela foi denominada pelo pagé de Aisó, formosa em tupi. Etê via Eliza como uma mulher, como uma futura esposa, mas ela não percebia isso, pois estava presa a Valter.  O tempo ia passado e Eliza, agora Aisó, parecia ter nascido naquele ambiente.
   Dois anos se passaram e numa madrugada, ela teve um sonho com Valter, o que a fez passar o dia refletindo sobre a sua antiga vida e despertou a curiosidade de como tudo poderia estar agora. Procurou o pagé e informou a ele sobre a sua intenção: ela queria voltar pra casa. Ele entendeu, lamentou, mas permitiu a sua partida. Etê ficou numa tristeza, pois nutriu esperanças acerca dela durante este tempo, tiveram uma conversa sincera, Aisó, agora Elisa, desejou felicidades na vida dele.
   Foi entregue a nova Eliza uma canoa. Uma índia foi de guia com ela, ela iria navegando pelo rio, até a sua cidade, lá pegaria um ônibus e chegaria em casa. A despedida na tribo foi emocionante, agora que aprenderia o caminho, Eliza Aisó, prometeu visitar. Já na embarcação as duas começaram a viagem, ela sentia um medo de ver como as coisas estavam e uma alegria de reencontrar a família.
   Enquanto navegavam avistou um barco, olharam de forma curiosa. A índia decidiu parar, pois nunca tinha o visto por ali, bateu palmas e saiu um homem branco de lá. Dois anos depois, mas Eliza foi capaz de reconhecer Valter, apesar dela esta com o cabelo mais curto e pele um pouco mal tratada, ele também a reconheceu. Ficaram um tempo em silêncio. Até que Valter deu a mão a Eliza, ela entrou no barco, informou a índia que ficaria por ali e despediu-se dela.
   Anos haviam passados, tinha muito que conversarem. Renovaram-se nesses dois últimos anos, os dois tinha aprendido na simplicidade a verdadeira felicidade. Perdoaram-se pelas besteiras e se perdoaram pelas traições. Acho que não precisa dizer que viveram felizes para sempre naquele barco do amor. Ou cantinho da felicidade, como Valter costumava dizer. 

Sonho que tive na madrugada do dia 10/10/2012.

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